
Fundado em 2007 pela Câmara Municipal de Matosinhos, o quarteto, composto por Vítor Vieira (violino), Juan Maggiorani (violino), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo), tem efetuado temporadas regulares de música erudita, em torno de grandes compositores internacionais e do património musical português, tendo merecido o elogio generalizado da crítica especializada.
O trabalho do Quarteto de Cordas de Matosinhos levou a que fosse distinguido com o Prémio Rising Stars da Organização Europeia de Salas de Concertos. Este conceituado galardão permitiu ao Quarteto de Cordas de Matosinhos iniciar uma digressão pelos mais importantes palcos europeus, como o Barbican de Londres, o Concertgebouw de Amesterdão e o Muzikverein de Viena, constituindo-se como uma notável embaixada cultural de Matosinhos nas principais cidades do continente.
PROGRAMA
ANTONÍN DVORAK (1841-1904)
Quarteto de cordas nº12, em Fá maior, op.96, “Americano” (1893)
Allegro ma non troppo
Lento
Molto vivace
Finale: Vivace ma non troppo
GABRIEL FAURÉ (1845-1924)
Quarteto de cordas em Mi menor, op.121 (1923/24) – ca 25’
Allegro Moderato
Andante
Finale: Allegro
NOTAS AO PROGRAMA
Antonín Dvorak nasceu em Nelahozeves, na Boémia, a 8 de setembro de 1841, no seio de uma família social e culturalmente modesta, e faleceu a 1 de maio de 1904, em Praga, na República Checa. Foi, conjuntamente com B.Smetana (1824-1884) e L.Janácek (1854-1928), um dos maiores e exímios compositores nacionalistas checos do século XIX. Internacionalmente reconhecido, abordou uma grande variedade de géneros e formas musicais e compôs um vasto reportório. Amigo próximo e admirado por Johannes Brahms (1883-1897), foi violetista da orquestra do Teatro Nacional de Praga (1862), organista na igreja de Saint-Aldebert, em Praga (1873), professor de composição e orquestração no Conservatório de Música de Praga (1889-1892 e 1895-1904) e no National Conservatory of Music de Nova Iorque (1892-1895) e maestro convidado por várias instituições internacionais, nomeadamente a Philharmonic Society e o Carnegie Hall. A música de Antonín Dvorak tem um forte aroma de música popular, com as suas características melódicas, rítmicas e harmónicas, e parece cruzar-se de uma forma coerente com a textura musical tradicional do cânon musical europeu. É um compositor com um forte pendor nacionalista e, esteticamente, integra o chamado romantismo musical tardio.
O Quarteto de cordas n.º12 em Fá maior, op.96, com o apelido de Americano, foi composto em 1894 e apresentado, pela primeira vez, em Boston, a 1 de janeiro de 1894, pelo Kneisel Quartet. É uma obra musical que denota, pelos diferentes recursos musicais que emprega, uma forte influência do meio cultural americano (utilização de estruturas pentatónicas, ritmos pontuados e sincopados ou temas oriundos de canções de tradição popular, tanto da boémia como da música negra dos Estados Unidos). O quarteto está organizado em quatro andamentos. O primeiro, Allegro ma non troppo, adota a forma sonata tradicional, o segundo, Lento, é um andamento bastante lírico e hiper-romântico, o terceiro, Molto vivace, tem o carácter e a métrica de uma dança e, o último, Finale: Vivace ma non troppo, um andamento rápido que se desenvolve de forma jovial e explosiva.
Gabriel Fauré nasceu em Pamiers, França, a 12 de maio de 1845 e faleceu, em Paris, a 4 de novembro de 1924. Estudou com Louis Niedermeyer e Camille Saint-Saëns na célebre École Niedermeyer de Paris durante os anos de 1854 a 1865. Foi organista titular nas igrejas de Saint-Sauveur, em Rennes e na Madeleine, de Paris. Em 1896, foi nomeado professor de composição do Conservatoire de Musique de Paris, no qual exerceu, ainda, a função de diretor no período compreendido entre os anos de 1905 a 1920 (ano em que a sua surdez se agudiza levando-o a abdicar do lugar). Foram seus alunos personalidades ímpares do meio musical como Maurice Ravel, Jacques Koechlin, Louis Aubert ou Paul Dukas, entre muitos outros. A produção musical de Gabriel Fauré é fortemente influenciada pelos mestres alemães, pela modalidade gregoriana, pelos artifícios modulantes e pelas subtilezas da escrita musical francesa. Embora não seja extensa, a sua produção musical é de uma qualidade invejável, designadamente, a sua música vocal, para piano e de câmara. Obras como o Requiem in D minor, Op. 48 (1887), Pelléas et Mélisande, Op.80 (1898) ou Cantique de Jean Racine, Op.11 (1865) para coro e orgão, são um bom exemplo dessa qualidade. Pode-se afirmar que Gabriel Fauré, conjuntamente com Claude Debussy e Maurice Ravel, dominou a moderna música francesa no período de transição entre o século XIX e o século XX.
O Quarteto de cordas em Mi menor, op.121, o último opus do compositor e único do género na sua produção musical, foi composto em diferentes lugares geográficos, designadamente, Annecy-le-Vieux, Paris e Divvone, durante os anos de 1923 e 1924, pouco antes da sua morte. Recorde-se que Fauré, no final da sua vida, tinha uma saúde bastante debilitada e estava quase completamente surdo. É dedicado a Camille Bellaigue e foi apresentado, pela primeira vez, no Conservatoire de Musique de Paris, a 12 de junho de 1925. A edição da obra data deste mesmo ano. Gabriel Fauré, em carta dirigida ao seu filho, Philippe Fauré-Fremiet, refere, a propósito deste quarteto, que os dois primeiros andamentos do quarteto, o Allegro moderato (mais lírico e harmonicamente requintado) e o Andante (fortemente emocional e melódico), são de um estilo expressif e soutenu e o terceiro, o Finale: Allegro, tem um caráter mais ligeiro, enérgico e agradável, numa espécie de scherzo que faz lembrar o seu trio op.120. É uma obra de grande maturidade musical, contemplativa, introspetiva e emotiva, com uma enorme elegância e subtileza harmónica e com fortes diálogos melódicos entre dos diferentes instrumentos.
No dia 12 de outubro regressam ao Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery para mais um concerto inesquecível que não poderá perder!
Informações Adicionais
A aquisição de um bilhete para um espetáculo no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery permite o estacionamento no Parque de Estacionamento da Docapesca, mediante o pagamento de 1 euro
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21h30
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